Salvador, 04 de Setembro de 2010

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Que polícia é essa?



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O diretor-geral Luis Fernando Correa vai entrar para história da Polícia Federal como o diretor que assumiu o cargo com apoio da maioria dos servidores e irá sair com mais de 80% de rejeição. Sim, o plebiscito realizado pela Federação Nacional dos Policiais, do qual participaram quase 2.500 servidores da PF, mostrou que o DG é amplamente rejeitado pelos seus “comandados”.



 



Mas engana-se quem vê o índice de rejeição do delegado Luiz Fernando apenas como resultado de sua administração. Os mais de 80% de rejeição são também o sintoma de uma polícia com servidores desmotivados e sem a devida valorização de suas funções dentro do órgão.



 



E para constatar esse quadro diretor não precisa ir muito longe. Se pegar um avião, e desembarcar em São Paulo, o delegado irá ver servidores terceirizados executando trabalho que seria de policiais federais e dos servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal. “Infelizmente hoje estamos esquecidos pelo DPF e pelo governo que sequer encaminhou nossa reestruturação da carreira”, me disse uma colega.



 



Mas se o diretor quiser ir para a Amazônia, na qual disse que faria uma revolução, não encontrará um quadro muito diferente. Ao invés de investir na Polícia Federal que não aparece no Jornal Nacional, a atual gestão optou pela centralização de recursos deixando de lado a função constitucional da PF de guardar nossas fronteiras. A Operação Cobra, por exemplo, criada há dez anos para combater o tráfico na fronteira do Brasil com a Colômbia, está morrendo à míngua.



 



Criada em 2000, a operação teve no seu auge mais de 100 policiais. Hoje, são apenas 20 heróis responsáveis por combater narcotráfico, contrabando, descaminho e até mesmo os terroristas das FARC.



 



De 2008 para cá, cinco dos nove postos da Polícia Federal na fronteira foram fechados. Uma décima unidade, prevista no início da operação, nunca foi implantada.



 



A situação mereceu uma advertência do comandante militar da Amazônia, general Luís Carlos Gomes Mattos, que disse que o Estado brasileiro (leia-se PF) precisa investir mais na vigilância das fronteiras na Amazônia. Em entrevista ao Jornal Estado de São Paulo, o militar admitiu que guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) entram com frequência no território nacional. Uma vergonha!



 



Outra “marca” da administração do atual diretor-geral e seus diretores é o tal plano de gestão para a PF do século XXI. Na teoria este seria um plano que, segundo o próprio diretor, incentivaria à meritocracia. Na prática a meritocracia vale somente para uma classe: OS DELEGADOS. Para os demais servidores sobram as migalhas.



 



Dentro desta polícia o índice de evasão entre os quadros da PF é grande. Agentes, escrivães, papiloscopistas e principalmente servidores administrativos estão saindo e procurando outros ares. O próprio diretor-geral durante audiência pública na Câmara dos Deputados, disse que é preciso valorizar os servidores sob pena da PF seguir perdendo seus quadros.



 



Mas entre o que o diretor fala e a prática existe um abismo. Muito próximo de acabar sua gestão frente ao DPF, o DG não dá nenhum sinal de que irá modificar suas ações e principalmente o modo como pensa a tal Polícia Federal do Século XXI. A nós servidores resta torcer para que o tempo voe e o doutor Luiz Fernando se transforme numa página virada na PF. 



 



Francisco Carlos Sabino é vice-presidente do SINDPOLF/SPe Diretor da Relações de Trabalho da Fenapef

Fonte: Reista do SINDPOLF-SP


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